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Jul 19, 2026
4 min de leitura

Sobre escrever aqui

Como os textos que eu crio aqui estão me ajudando a ver o quão burro eu sou.

É bem interessante a sensação de sentar na frente do computador para compor um texto aqui e perceber o quão raso é o meu entendimento sobre o assunto.

Acho que se liga bastante àquela máxima que todo mundo já ouviu: que a melhor forma de aprender alguma coisa é ensinando para outra pessoa. Afinal, é uma máxima por um motivo, eu acho.

No meu caso, eu tenho bastante dificuldade de ensinar qualquer coisa pra alguém, o que diz bastante coisa sobre o tamanho das lacunas a serem preenchidas.

Na minha vida pessoal/profissional não tenho muitas oportunidades de ensinar nada pra ninguém. Por aqui, tenho uma plataforma em que eu posso gritar para o vazio (já que eu sequer sei quem lê ou deixa de ler o que eu escrevo). Às vezes o vazio escuta e responde, e aí acontece a mágica: eu aprendo mais ainda com quem leu e tirou parte do seu precioso tempo para me responder.

Ficou claro pra mim que feedback é realmente importante. Se fosse instantâneo, como num cara a cara, seria mais relevante ainda, eu creio.

E foi sentado aqui escrevendo esse texto que eu (ironicamente, somando mais uma evidência anedótica à conclusão à seguir) percebi que uma das minhas próximas metas seria me colocar em mais situações em que eu precise ensinar algo a alguém.

O problema é que, dentro da nossa cabeça, tudo parece perfeito. Você estudou aquilo e entende perfeitamente o assunto. Aquilo faz todo o sentido do mundo. Nenhuma contradição à vista. Aí você tenta explicar pra alguém (ou no meu caso, escrever aqui).

Quando você começa a digitar, aquela ideia que parecia algo sólido vira uma verdadeira maçaroca. Faltam exemplos práticos, falta contexto, faltam dados, faltam fontes e, mais que tudo, falta lógica.

E o pior, como estou gritando pro vazio, não dá pra mandar aquele “você entendeu o que eu quis dizer?” que a gente usa pra tentar se conectar com o nosso interlocutor. Você precisa garantir que o texto está claro, sob pena de não ocorrer a comunicação.

E é aí que mora a chave. Se você não consegue colocar em uma frase clara o motivo pelo qual pensa x ou y, nem você mesmo sabe qual é esse motivo. Você só tinha uma vaga opinião (na minha opinião).

Encarar esse desconforto é o que faz o esforço valer a pena. E a palavra é desconforto mesmo. Acredito que conforme for expondo mais e mais ideias e escrevendo um número maior de textos, isso fique menos desconfortável ou, pelo menos, eu crie uma resiliência.

Expor as próprias lacunas para si mesmo dá um mal estar, um nó no estômago. Mas é o único jeito (que eu encontrei) de parar de fingir. O papel vira uma régua que te ajuda a medir se a sua linha de raciocínio se sustenta em pé sozinha, ou você vai ter que voltar duas casas e estudar mais um pouco antes de continuar escrevendo.

No fim das contas, tenho encarado a escrita menos como uma forma de despejar certezas no mundo e muito mais como um processo de depuração mental. É sentar, aceitar a humilhação de se descobrir ignorante em tempo real e, palavra a palavra, ir remendando os buracos no raciocínio. Se ninguém ler o que foi publicado, paciência; pelo menos eu terminei o texto sabendo um pouco mais do que quando abri o notebook.